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Terreiro Séja Ɦʊ̀ɲɗe comemora Gbèsèn e uma década como patrimônio vivo do Brasil

  • Foto do escritor: Paulo de Oxalá
    Paulo de Oxalá
  • há 12 minutos
  • 4 min de leitura

Foto: Hungá Etemi Alaíde de Oyá e Terreiro Séja Ɦʊ̀ɲɗe – acervo da roça


Gboitá acontece neste domingo, 11 de janeiro

 

O Terreiro Séja Ɦʊ̀ɲɗe, referência maior da tradição Jeje Maɦiɲ no Brasil, abre janeiro de 2026 celebrando dois marcos de profundo significado histórico, religioso e cultural. A casa comemora o Vòdún Gbèsèn e uma década do reconhecimento da Roça do Ventura como patrimônio vivo do Brasil, título que reafirma oficialmente um saber ancestral preservado há mais de um século e meio no Recôncavo Baiano.

 

Fundado em 1858, no município de Cachoeira, o Zògbodo Malé Bogun Séja Ɦʊ̀ɲɗe é mais do que um território religioso. Trata-se de um espaço onde os fundamentos do antigo Dahomé seguem vivos, transmitidos de geração em geração, sustentando o culto aos Voduns e uma complexa organização ritual herdada do povo Jeje Mahi. O reconhecimento como patrimônio vivo não criou essa importância, apenas confirmou aquilo que a ancestralidade sempre soube e protegeu com firmeza.

 

Celebrar dez anos de tombamento da Casa Matriz é reafirmar a continuidade de um caminho construído por nomes fundamentais da história da roça, como Tio Xarene, Ludovina Pessoa, Vovô Ventura, Salakó, Zé de Brechó, Maria da Motta e Julia Guimarães. São trajetórias que garantiram que o Séja Ɦʊ̀ɲɗe permanecesse como solo sagrado de resistência, memória e identidade africana em solo baiano.

 

Esse marco de preservação foi fruto de uma mobilização coletiva e de uma rede institucional decisiva para a salvaguarda da roça. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional teve papel central no processo, ao reconhecer a Roça do Ventura como bem vivo da cultura brasileira. A Associação Afro Ameríndia atuou de forma constante e estratégica, assim como a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, que ofereceu suporte acadêmico e documental. O Ministério Público Estadual e o Ministério Público Federal também tiveram atuação firme na garantia dos direitos territoriais e culturais da comunidade.

 


Foto: Lideranças na Frente do Terreiro Séja Ɦʊ̀ɲɗe - acervo da roça

 

 

Mais do que preservar edificações, esse reconhecimento assegura a continuidade da tradição Jeje Mahi em Cachoeira. Do antigo quilombo da Rua do Pasto à formação da Irmandade dos Martírios do Povo Jeje Roça de Cima Kpó Zerén e à atual configuração do Séja Ɦʊ̀ɲɗe, a casa mantém vivos os fundamentos plantados por seus ancestrais. A roça segue como história viva, proteção espiritual e referência para o povo Jeje no Brasil.

 

No centro dessa trajetória está a Hungá Etemi Alaíde de Oyá, liderança maior da casa e uma das figuras mais respeitadas da tradição Jeje Mahi. Aos 96 anos de vida e com mais de seis décadas de iniciação, Etemi Alaíde representa a própria continuidade do Séja Ɦʊ̀ɲɗe. Iniciada em 9 de janeiro de 1960 pela Gaiaku Adalgiza Combo Pereira, a Dofona Pararasì, ela superou marcas históricas ao realizar cinco jornadas rituais, fortalecer o corpo litúrgico da casa, confirmar Ogãns e cumprir obrigações de filhos e descendentes vindos de diferentes estados do país. Sua liderança estabelece o elo entre o que foi plantado pelas ancestrais e o que floresce no presente, mantendo vivos os fundamentos do antigo Dahomé.

 

Durante as celebrações, a roça também rende honras à Ekedji Romilda, guardiã insubstituível da memória Jeje. Segunda mais velha da casa, ela é a única filha de santo viva de Eliza Gonzaga de Souza, a Fomo Aguessi, liderança que esteve à frente do terreiro entre 1978 e 1994 e que foi iniciada por Maria Ogorensì, fundadora da Roça do Ventura. A presença de Ekedji Romilda representa o contato direto com a fonte do fundamento Jeje, reafirmando a centralidade do respeito aos mais velhos como base de sustentação da tradição.

 

A celebração ao Vodún Gbèsèn integra esse contexto de continuidade e fortalecimento ritual. Realizada anualmente, no início de janeiro, a festividade se divide em dois momentos. No primeiro fim de semana ocorre a oferenda ao Vòdún e, no segundo, acontece o Gboitá, uma das mais importantes festas litúrgicas do calendário Jeje. O terreiro mantém suas portas abertas para acolher filhos, descendentes e o público interessado, reforçando o compromisso com a transmissão dos saberes e com a preservação de uma hierarquia construída a partir das lutas dos ancestrais do antigo território do Dahomé, hoje República do Benin.

 

O ponto alto das celebrações acontece neste domingo, 11 de janeiro de 2026, com a realização do Daɦò Gboitá ao Vòdún Gbèsèn, a partir das 16 horas, no Terreiro Zògbodo Malé Bogun Séja Ɦʊ̀ɲɗe, localizado na Rua Benjamin Constant, número 2, em Cachoeira, no Recôncavo Baiano, a 2,5 km do centro da cidade. Na praça do Mercado Municipal, há táxi para o Terreiro. Ainda na cidade, há as pousadas Convento do Carmo e Pai Thomaz.

 

A cerimônia ao Vòdún Gbèsèn reafirma o papel do Séja Ɦʊ̀ɲɗe como pilar da memória africana no Brasil e como espaço onde a história respira, garantindo que o futuro siga sustentado pela devoção, pelo axé e pela fidelidade aos fundamentos ancestrais.


Mawu ɲa ɲʊ́ Vòɗʊ́ɲ Sɛ̀m! Que Deus abençoe os Sacerdotes de Vòɗʊ́ɲ!


Àcɛ Ɠòɲzoɲ!


 
 
 

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Tags: Babalorixá, Simpatia, Búzios, Tarot e numerologia

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