Por que o corpo precisa de resguardo após um ẹbọ
- Paulo de Oxalá

- há 1 dia
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Imagem: O respeito ao ẹbọ e os búzios - inspirada na visão de Pai Paulo de Oxalá
O alimento e o respeito espiritual
Quando se realiza um ẹbọ ou qualquer outro trabalho espiritual, não estamos lidando apenas com um pedido aos Orixás, mas com um processo profundo de reorganização do corpo, da mente e do Orí. Por isso, os resguardos alimentares são importantes, pois fazem parte do cuidado com aquilo que foi limpo, alinhado e colocado em estado de pureza espiritual.
Antes de um ẹbọ, a pessoa passa por sacudimento para retirar as energias negativas do corpo. A partir desse momento, o corpo fica espiritualmente limpo e mais receptivo às energias positivas que foram movimentadas pelo sacerdote. Por essa razão, a alimentação precisa acompanhar esse estado de axé. Comer alimentos não recomendados pelo jogo de búzios pode interferir diretamente no equilíbrio e no sucesso do trabalho, pois nem tudo vibra na mesma frequência de um corpo que acabou de ser purificado.
O resguardo alimentar é, acima de tudo, um gesto de respeito. Respeito a Orí, que organiza o destino. Respeito ao Orixá que foi solicitado. Respeito ao próprio trabalho espiritual que foi realizado. Ao evitar determinados alimentos, a pessoa ajuda a manter o corpo leve, silencioso e em harmonia com a força espiritual que está em atuação.
Em muitos casos, orienta-se evitar carnes de animais de quatro patas, especialmente a carne bovina. Isso acontece porque a carne de boi carrega uma densidade energética maior, o que pode pesar num corpo recém-limpo. Por essa razão, quando necessário, essas carnes são substituídas por frango ou peixe, que possuem uma vibração mais adequada para esse período de resguardo.
Cumprir essas orientações fortalece o resultado do trabalho espiritual. Não se trata de superstição, mas de coerência e do cumprimento dos dogmas espirituais e das determinações do jogo de búzios. Um corpo que respeita o resguardo sustenta melhor as bênçãos recebidas, evita desequilíbrios e favorece o sucesso do que foi pedido.
Embora existam também as kizilas e os euós ligados aos Odús e aos Orixás, que são revelados pelo jogo de búzios e variam de pessoa para pessoa, o resguardo após um ẹbọ é um princípio mais amplo e acessível a todos. Ele ensina disciplina, consciência e reverência ao sagrado.

Imagem: Corpo energizado pelos Orixás - inspirada na visão de Pai Paulo de Oxalá
Existem ainda ebós que não necessitam de resguardo. Nesses casos, toda a orientação é definida pelo jogo de búzios, que pode indicar apenas um banho ou outro preceito como conduta a ser seguida.
Porém, quando o resguardo é determinado, é preciso compreender que o ẹbọ não termina no momento do ritual. Ele continua no prato, nas escolhas e na postura de quem deseja ver seus caminhos verdadeiramente alinhados.
Ọ̀wò ni ìpilẹ̀ ìgbàgbọ́. (O respeito é a base da fé.)
Axé para todos!




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