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Yemanjá, o encontro com a tradição e a esperança no Réveillon

  • Foto do escritor: Paulo de Oxalá
    Paulo de Oxalá
  • há 2 dias
  • 5 min de leitura
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Foto: O Réveillon brasileiro e as oferendas a Yemanjá - IA-inspirada na visão religiosa de Pai Paulo de Oxalá


Superfesta do Mercadão chega na 23ª edição


Para nós brasileiros, Yemanjá é a divindade das águas salgadas, sendo uma das mais veneradas no panteão dos Orixás. Sua trajetória é marcada pela transcendência de fronteiras, unindo a tradição, a fé e a esperança de milhões de pessoas. Originária de Abẹ́òkúta, na Nigéria, Yemanjá tem sua história ligada às margens do rio Ògùn, um afluente que, para muitos, simboliza a conexão entre a terra e as águas profundas. A saudação dedicada a ela, Odò Ìyá, significa "mãe das águas do rio", uma referência ao seu poder sobre todos os corpos d'água, incluindo os rios que nutrem e sustentam a vida.

 

Embora sua origem africana esteja mais associada à água doce e aos rios, no Brasil é no mar que Yemanjá se revela como uma das figuras mais simbólicas. Na África, a senhora do mar é Olókun, mas ao atravessarem o oceano, os africanos que chegaram ao Brasil perceberam o mar como um imenso rio, o que levou à associação direta de Yemanjá com as águas salgadas. Sua chegada ao Brasil consolidou essa relação com o oceano, simbolizando fertilidade, vida e renovação. Com sua essência materna e protetora, Yemanjá tornou-se não apenas a rainha do mar, mas também a grande mãe de todos, representando acolhimento, proteção e a nutrição espiritual dos seus filhos.

 

O nome Yemọja reflete essa conexão profunda com a natureza. Derivado de Yèyé (mãe), ọmọ (filhos) e ẹja (peixes), o nome significa "mãe cujos filhos são os peixes", uma representação  perfeita para a vastidão da vida que ela nutre e protege. Yemanjá é também chamada de Ìyá Orí, ou "mãe de várias cabeças", um título que reflete seu papel como mãe de outros Orixás, incluindo Ọmọlu (Omolu), o Orixá da cura que foi rejeitado por Nàná (Nanã). Para homenagear Omolu, Yemanjá dança o Opanijẹ, um ritmo sagrado associado a ele.

 

A presença de Yemanjá na vida dos devotos e filhos é marcada por sua generosidade e pela abundância que ela concede. Seu símbolo, o abẹ̀bẹ̀ ẹja (um leque com a figura de um peixe), reflete sua ligação com a natureza e a energia vital que emana de suas águas. Suas cores, branco, verde, azul-claro e prateado, são símbolos de harmonia familiar, prosperidade e equilíbrio. O dibò, uma oferenda feita de milho branco temperado com dendê ou azeite doce, é um tributo à sua generosidade.

 

Yemanjá e o Réveillon: Uma Tradição de Renovação e Esperança

 

A tradição de louvar Yemanjá durante a virada do ano é um dos rituais mais populares no Brasil, especialmente nas praias do Rio de Janeiro, onde milhares de pessoas se reúnem para saudar a grande mãe. Esse ritual começou nos anos 50, com os umbandistas, que ao celebrarem a chegada do novo ano, ofereciam cânticos, danças e oferendas a Yemanjá, assim como a outros Orixás e Entidades. Esse ato de reverência está, até hoje, associado ao desejo de renovação, prosperidade e equilíbrio para o ano seguinte.

 

O ritual mais simbólico é o de pular sete ondas. Este gesto remonta às práticas africanas de culto a Èṣù (Exu), o Orixá mensageiro que intercede entre os homens e os outros Orixás. Cada onda pulada representa um pedido, uma prece dirigida a Yemanjá, com a esperança de que ela acolha as intenções de quem a venera. O número sete, sagrado na cultura afro-brasileira, é um número de poder, ligado ao ciclo da vida e à transição, sendo, portanto, poderoso para esse ritual.

 

Além das ondas, as pessoas também colocam no mar seus barquinhos de papel biodegradável oferecidos à divindade. Eles representam os barcos dos pescadores protegidos por Yemanjá. Esses barquinhos levam frutas e flores e simbolizam os pedidos de quem os oferece. Por serem biodegradáveis, as oferendas se transformam em adubo para a vida marinha. A memória ancestral nos conta que, quando os barquinhos afundam, é sinal de que Yemanjá aceitou a oferenda e que a paz e a harmonia estarão presentes no novo ciclo.

 

Rituais de proteção!

 

A tradição de vestir branco também é uma forma de homenagear Yemanjá. O branco, cor da paz e da pureza, está associado não apenas a Oxalá, Orixá da paz, mas também a Yemanjá. Essa cor simboliza a harmonia e a energia positiva que ela irradia. Usar branco, além de um gesto de reverência, tem o propósito de atrair felicidade, equilíbrio e serenidade para o ano novo.

 

A devoção a Yemanjá no Réveillon é marcada por diversos rituais de purificação espiritual e de prosperidade. Um dos mais conhecidos é o banho de Yemanjá, preparado com folhas de negra-mina e rosas brancas. Esse banho, tomado da cabeça aos pés, tem a finalidade de purificar e atrair boas energias. Para a prosperidade, muitos acreditam que um punhado de areia da praia, combinado com moedas e colocado atrás da porta principal, traz sorte e abundância. Há também o banho feito com água de arroz, cujo objetivo é promover saúde e equilíbrio, além de representar um gesto de gratidão à divindade que protege seus filhos e garante a continuidade da vida.

 

Cultuar Yemanjá não é apenas celebrar a virada do ano, mas viver um momento profundo de fé e renovação espiritual. A grande mãe do mar nos lembra da importância de acreditarmos em nossa capacidade de superação e perseverança. Ao nos conectarmos com a energia de Yemanjá, pedimos forças para enfrentar os desafios e confiamos que ela nos conduzirá com seu olhar protetor, guiando nossos passos rumo ao sucesso e à harmonia.

 

Em casa ou na praia, não deixe de reverenciar Yemanjá. Se optar por ficar em casa, coloque quatro rosas brancas em um jarro e faça seus pedidos na passagem do ano. No dia 1º, macere as rosas em água limpa e tome esse banho da cabeça aos pés. Em seguida, vista-se de branco.

 

A superfesta 2025 do Mercadão de Madureira

 

Uma das mais importantes celebrações dedicadas a Yemanjá é a do Mercadão de Madureira, que chega à sua 23ª edição. A festa nasceu de uma promessa feita no ano 2000 pelos comerciantes Hélio Sillman e Guaracy Coutinho após o incêndio que atingiu o Mercadão, referência nacional na comercialização de artigos religiosos afro-brasileiros. Com a reabertura do espaço em 2001, a promessa se transformou em tradição e passou a reunir fé, cultura e esperança. A celebração acontece hoje, dia 29, e contará com uma roda de crianças vestidas de Orixás, embalada pela voz de Genário de Xangô em cantigas dedicadas à Rainha do Mar. O evento será realizado no posto 4 de Copacabana a partir das 17h, com apresentação de Mãe Miriam de Oyá e Pai Nando de Oxaguian.

 

Odò Ìyá! Salve Yemanjá!

 

Feliz 2026 para todos!

 
 
 

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Tags: Babalorixá, Simpatia, Búzios, Tarot e numerologia

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