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Pai Nino de Ògún (in memoriam):


Antenor Pereira Palma, mais conhecido como Nino de Ogum, foi um dos que deram início a um dos Candomblés mais concorridos do Rio de Janeiro.


Nasceu em Salvador em 06 de abril de 1923, vindo a se iniciar pelas mãos de Otávio da Ilha Amarela, em 20 de novembro de 1941, com 18 anos de idade, tendo sido feito para Ọ̀ṣun e criado por Ògún, recebendo o nome de Tọmìnìdẹ̀. Saiu num barco de três ìyàwó: Òṣàlá, Ọ̀ṣun e Yánsàn . Teve uma juventude rebelde e bem agitada. Desde criança sabia como se manter, demonstrando iniciativas próprias de sobrevivência.


Nino foi casado com Vivi de Yánsàn em 1948, vindo no ano seguinte para o Rio, onde Otávio aqui estava. É acolhido na Casa de Djalma de Lalú, por quem ficou muito agradecido, lembrando sempre a atenção que Djalma teve com ele e que veio a fazer a iniciação de Mãe Vivi. Devidamente ambientado, abre sua Casa, mais tarde, no Bairro de Moquetá, em Nova Iguaçu mudando depois para Carmari.


Otávio Ferreira de Souza, (1912-1987) nasceu na localidade denominada de Ilha Amarela, uma região alagada da Ribeira e que mais tarde foi aterrada transformando-se num bairro de Salvador.


Otávio da Ilha Amarela era de Nàná(n), porém, como é um orixá que não vira na cabeça de homem, foi iniciado para Ọ̀ṣọ́ọ̀sí, (Ọdẹ Tayósi). Recolheu vários barcos em Salvador, entre eles, Nino, em 1941, e Edmundo Lopes de Oliveira, conhecido como Mundinho da Formiga, iniciado para Lógun Ẹ̀dẹ. Otávio vem para o Rio, abrindo sua casa em Agostinho Porto, na Baixada Fluminense, iniciando várias pessoas, entre elas, Índio de Ọ̀ṣọ́ọ̀sí, Vitorino de Òṣàlúfọ́n, Mª Antonia de Ògún, Gamo de Lógun, Balbina de Iyewa, Rosinha de Ọ̀ṣọ́ọ̀sí e Hélio Tozan de Ọbalúwáiyé.


O Ilê Nidê, de Pai Nino começou a funcionar a partir de 1956. O primeiro gesto das pessoas que se propunham a abrir um Terreiro, era o de pedir licença aos mais antigos aqui instalados. Assim, foi tomar a benção a Ciriaco, Agripina, sendo Davina de Ọmọlu, quem veio lavar e dar comida ao seu santo.


Sua primeira filha foi Célia de Ọ̀ṣun (1927-2008), Célia Florêncio Ferreira, iniciada em 1957, vindo a se tornar uma das maiores expressões do Rio de Janeiro, pela sua maneira de ser e dedicação religiosa. Calma, educada, solidária, tinha sua cadeira destacada nas cerimônias do Terreiro ao lado de Nino. Ela havia sido apontada Ẹkẹdi pelo Ògún de Piticá do Àṣẹ de Zé do Vapor, na casa de Procópio de Ògúnjà.


Em um dos muitos casos que merece análise na história dos Candomblés, conta-se que na sua obrigação de 50 anos, foi Ògún quem "mandou" a prefeitura asfaltar a rua para a festa que, por muitos anos, era toda de barro o que prejudicava o acesso ao Terreiro. Foi Ògún quem colocou as coisas em ordem, como ele dizia.

Outro fato é o respeito à hierarquia, questão fundamental que dá sustentação a todo dirigente. Para exemplificar, foi Nino quem plantou o Àṣẹ da Casa de Meninazinha de Ọ̀ṣun, quando ela se dispôs a abrir o seu Terreiro. Na sua obrigação de sete anos procurou Nino, novamente, que lhe orientou a chamar o povo de Edson Passos para as obrigações a fim de ser fiel aos descendentes diretos de Davina.


Nino também viria a revelar o seu perfil de zelador consciente com as tradições, ao ser procurado por Regina Lucia de Yemọja para ser iniciada. Por questões de raízes e determinações, orientou-a a se iniciar numa casa de Ṣàngó que era o Àṣẹ Òpó Àfọ̀njá. Estava tão certo que, hoje, ela é a atual sucessora desta casa.


"Homenagem feita pelo Prof. José Beniste ao Pai Nino de Ògún, falecido em 04 de Maio de 2011".




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Tags: Babalorixá, Simpatia, Búzios, Tarot e numerologia

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